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Histórias do Rio
Sábado, 07 de Maio de 2005.
Alemães pra lá de cariocas.
    
Quando se fala da vinda de europeus para o Brasil, logo se pensa nos estados do sul do país. Mas o Rio tem uma importante colônia alemã, que mantém hábitos e tradições.

O número 109 da Rua Miguel Couto, no Centro, é hoje uma loja de produtos para animais. Mas em 1821, no restaurante que havia ali, os primeiros alemães a chegarem ao Brasil fundaram a Sociedade Germania.

Todos foram registrados em um livro de ouro. As fotos estão amareladas, mas eles não são esquecidos.

A sociedade se formou logo depois da decisão do rei de Portugal, Dom João VI, de abrir os portos brasileiros às nações amigas. Ao contrário do que muita gente pensa, os alemães não iam para o sul do país, mas ficavam no Rio.

"A capital do Brasil era o Rio e o porto principal era aqui. Aqui estavam sediadas as empresas alemãs. Então, o ponto de encontro principal dos imigrantes era o Rio de Janeiro", explica o presidente da Sociedade Germânica, Francisco Xavier.

Integrados à cidade, em 1900, a Sociedade Germania construiu uma sede na Praia do Flamengo. O prédio tinha restaurante com vista panorâmica, grandes salões de baile. Até o físico Albert Einstein passou por ali.

Mas veio a Segunda Guerra Mundial e a onda contra os alemães que surgiu em quase todo mundo atingiu o grupo em cheio.

"Considerou-se que aquilo era um lugar onde havia súditos do Eixo, fazendo propaganda alemã, que não era desejada para a época. Então, o governo achou que aquela sociedade tinha que ser extinta", conta Francisco Xavier.

Só na década de 70, a Germania se mudaria para uma casa nova e definitiva: no alto da Gávea, em um clube que é um pedaço da Alemanha no Rio. No lugar, tudo serve para matar as saudades da terra natal, especialmente um esporte: o Kegel.

Toda semana, as senhoras se reúnem para uma disputa. O grupo foi fundado por Dona Edith Ritzmann, uma jovem de sabe quantos anos? "Eu tenho 85 anos", diz ela. "Nossos maridos jogavam lá no outro clube, chamado Beira-Mar. Nós ficávamos com raiva, nós também queríamos jogar. As mulheres não podiam jogar".

Em relação ao nosso boliche, o Kegel tem algumas diferenças: a bola não tem furos, a pista começa estreita e o número de pinos é nove, enquanto no nosso boliche, são dez.

Se os alemães têm fama de sérios e mal-humorados, as senhoras que vieram para o Rio se integraram muito bem à cidade. "Eu já estou há 57 anos aqui, já sou carioca", garante Dona Edith.

 


Fonte: globo.com/rjtv

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